segunda-feira, 6 de abril de 2015

DESABAFO - AINDA SOBRE AMAMENTAÇÃO - BANCO DE LEITE

Oi meninas...

Estava relutante em vir aqui fazer esse desabafo, mas não tinha conversado com ninguém a respeito, nem marido, nem mãe, nem amigos.Guardei para mim essa angustia por 21 dias.
Acho que fiquei com medo de falar sobre isso e ser criticada, pensava que quando nos tornamos mães, principalmente quando queríamos e lutamos tanto para isso, devemos padecer caladas, perdemos o direito de reclamar, de desabafar, de chorar. Temos que encontrar com as pessoas, e quando elas perguntarem como estamos, por mais que estejamos descabeladas, unhas por fazer, super olheiras, temos que colocar um sorriso morno nos lábios e dizer: está tudo ótimo. Mas não está, só quem já foi mãe sabe que os primeiros dias são difíceis, são cansativos, stressantes, e porque esse medo de falar disso? Quando me vi desse lado, imaginei que esse medo de desabafar não fosse só meu, pois ninguém que eu conheço que já é mãe, sentou comigo e me disse esse lado da história, nenhuma mãe nunca me chamou para desabafar de sua rotina desgastante, das vezes que chorou desesperada sem saber o que fazer.
Por isso decidi, vou contar no blog, sei que algumas pessoas vão ler, e talvez eu possa ajudar alguém, mas eu quero contar por um motivo maior do que esse, quero contar para me ajudar, quero lembrar de como esse período foi difícil e ao mesmo tempo de crescimento e gratificante.

No dia 24/03, depois de 20 dias turbulentos, de várias intercorrências na vida materna, de problemas com a amamentação, e de uma noite super difícil onde a minha filha chorava por horas seguidas e eu já perdia a paciência e que dormimos pouco mais que 3 horas, parei para refletir em tudo que tínhamos passado. Pensei: sou uma péssima mãe, e comecei a enumerar uma sequência de "erros" que cometi:
- Deixei que escolhessem o dia que a minha filha veio ao mundo, por mais que estivesse os riscos ditos pelo obstetra, eu não questionei, eu não pesquisei. Comecei a me questionar se o meu parto tinha alguma relação com a minha dificuldade em amamentar, afinal, na minha cabeça passava que minha filha não tinha nascido, tinha sido arrancada de dentro de mim, e com o meu consentimento o que tornava minha culpa ainda maior.
- Dei mamadeira mesmo depois de começar a produzir leite apenas para ter uma comodidade de dormir mais horas na noite.
- Dei chupeta para que ela ficasse um tempo calada e eu pudesse restabelecer a calma. Sim! eu tive momentos de desespero por causa do choro dela, quis fazer qualquer coisa para calá-la, e cheguei a pensar: o que passou pela minha cabeça quando troquei a calmaria da minha vida por ser mãe?!
- Não chorei quando ela nasceu. Fui questionada se não me emocionei. Claro que me emocionei! Eu só não soube expressar isso, foi tudo tão rápido, novo, diferente do que eu esperava, eu não soube reagir. Mas, eu também esperava sentir um amor diferente quando eu olhasse nos olhos dela, aquele amor sem explicação que as mães sempre falam, mas o que eu senti foi apenas amor, não daqueles que apertam o peito. Fiquei me questionando, será que não amo minha filha incondicionalmente?! O que acontece comigo?!
- Não dava colo e carinho para a pequena por medo de colocar manha. Era só pegar para mamar, arrotar e cama, não ninava, mimava, cheirava, ou deitava com ela para ter nosso momento, seguindo as instruções dos mais velhos.
Nesse momento comecei a pensar: Poxa! O tempo todo eu me preocupei comigo, não pensei em momento algum no quanto estava sendo difícil para ela. Saiu de um lugar pequeno, úmido, quente e escuro, e veio para um lugar grande, cheio de luzes, barulho, e que ninguém entende a sua forma de comunicar.
Tive certeza. Sim! Sou uma péssima mãe!
Fiz tudo errado!
E agora como reparar?
Primeiramente eu tinha que resolver essa questão da amamentação. Apesar de ter ido ao posto de saúde e ter recebido a orientação, eu sentia que algo na minha amamentação não estava certo,a minha filha demorava 2 horas em cada mamada, era desgastante, não se satisfazia, e eu ficava muito cansada, e ela acordava com menos de 2 horas para mamar novamente. Estava ainda muito difícil, comecei a emagrecer muito, e me sentir cada dia mais triste com toda a situação que eu vivia na maternidade. Eu conversava com amigas minhas que tiveram filhos também por agora, e a experiência delas era diferente, apesar de difícil, mas pareciam mais brandas, não enfrentavam a dificuldade de amamentar, seus bebes dormiam melhor, e elas não estavam sentindo esse cansaço e desgaste, ou se estavam, não me contaram. E eu comecei a me questionar, porque o mundo das outras mães é tão colorido e o meu é cinza assim?! Onde foi que eu errei????
Decidi então ir naquele dia ao banco de leite buscar orientação (me arrependi de não ter feito isso logo nos primeiros dias,fica a dica futuras mamães, tem dificuldade em amamentar, procura logo o banco de leite).
Cheguei lá arrasada, desolada, acuada, me sentindo sem saída. Contei aos prantos tudo o que estava acontecendo para a médica, que gentilmente me ouviu sem interromper.
Ela colocou a Bia no meu seio e nos ensinou a pega correta, tirou todas as minhas dúvidas, e depois me disse palavras acolhedoras. Disse que eu precisava tirar a mamadeira da minha filha, que essa fase era de adaptação, que logo a demanda dela pelo meu seio seria menor e teríamos melhores noites de sono, que por mais difícil que estivesse sendo, que ia passar, e que eu sentiria muita saudade desse tempo, que dar o seio para ela era uma forma de construir nosso vínculo e amor, que eu precisava entender que não estava sendo fácil para minha filha também, e que o choro dela por mais que nos incomode é a forma dela se comunicar, para eu ter paciência, e o mais importante, dar muito carinho, que não é por manha que ela quer ficar no meu colo e pertinho de mim, é pq ela ficou 9 meses dentro da minha barriga, ouvindo o meu coração, e porque agora eu queria cortar esse vínculo. E disse ainda, dê ouvidos apenas ao seu instinto materno, nunca vi uma pessoa virar mal elemento porque recebeu excesso de carinho.
Eu precisava mesmo ouvir tudo aquilo, cheguei em casa e segui as orientações, com exceção da chupeta, na verdade tentamos sem a chupeta por uma semana, mas foi difícil achar outra forma de acalmá-la, não resolveu música, balançadinha, conversa, só o meu dedo na boca dela a acalmava, e como nem sempre estou com o dedo higienizado para fazer isso, optei pela chupeta. Tem funcionada, pois ela não é uma refém do bico, quando adormece solta espontaneamente, quando está com fome não se contenta com a chupeta, chora meeeesmo, e as vezes ela não pega, pelo simples fato de que não quer, e pronto!
Mas, a mamadeira com o leite artificial, nunca mais dei, ao invés disso, trabalhei toda a minha paciência e dei o peito a livre demanda, e mesmo quando estava muito cansada, eu estava ali a alimentando e olhando nos olhos.
Aprendi a não deixá-la chorando no carrinho ou berço só por achar que é manha, eu sempre pego, tento descobrir o motivo do choro, e acalento até se acalmar.
Aprendi também a deixá-la chorar quando é preciso, como por exemplo, nas trocas de roupas e banho, e assim ter paciência de terminar o processo e depois acalmá-la, sei que com o tempo ela vai entender que vestir roupa e tomar banho faz parte da rotina e não vai mais chorar, até lá terei paciência.
Hoje o colo é livre demanda também, e quando precisa, quando já tentei de tudo e vejo que o que ela quer é o meu calor, me deito com ela, deixo dormir comigo e marido na cama, ou fico horas deitada no sofá com ela em cima da barriga.
E enfim, nos entendemos. Não quer dizer que está tudo muito fácil, mas melhorou demais, ainda temos noites difíceis, quando ela tem cólicas, ou quando sofre com refluxos fisiológicos, mas na  maioria das noites ela dorme as 23:00 e acorda as 3:00 para mamar, e após dormir só acorda novamente as 7:00, ela já estabeleceu uma rotina para nós, mamada e troca de 3 em 3 horas, e para mim está ótimo, eu durmo, descanso, e ainda faço as coisas de casa.
Tá bom que nem sempre dá para fazer tudo, esse post mesmo tem uma semana que estou escrevendo, sempre que começo, ela acorda, mas enfim, as coisas primordiais estão sendo realizadas.
Depois de passar por tudo isso, lendo sobre maternidade, descobri que passamos por uns momentos assim, que parecem depressão pós parto, eles ocorrem em 80 % das mulheres, uns 4 dias depois do parto, devido a queda dos hormônios, e a mulher fica desesperada, triste, desolada e até insatisfeita com a maternidade, ele se chama baby blues ou blues puerpério, e os sintomas passam com uns 15 a 20 dias. Definitivamente entendi o que me aconteceu, que foi agravado com o problema de lactação e minha ansiedade. Aí eu me pergunto, onde estavam essas mulheres que passaram por este problema? Pq ninguém nunca me contou sobre isso. Teria facilitado bastante o processo.

Aaaah! Sabe aquela história de não amar minha filha incondicionalmente?! Ela não existe! O amor de mãe pelo filho é com certeza incondicional, mas pelo menos comigo não foi um amor que simplesmente surge assim como um passe de mágicas quando ela nasce, é um amor que se constrói a cada minuto, com cada gesto, assim como é todo o tipo de amor verdadeiro. Cada dia ele está maior, e aí começa aquele aperto no peito, aquele desejo incontrolável de que minha filha seja a pessoa mais feliz desse mundo, aquele medo horroroso de fazê-la sofrer e até de perdê-la. É um amor que não se explica, não se mede, apenas vive!
Não imagino minha vida sem ela, e até parece que ela sempre esteve aqui.

Obs: A princesa completou 1 mês no dia 04/04 e espero em breve fazer relatos de como foi, e o que aprendemos uma com a outra.

Desculpem o post gigante, mas eu precisava relatar tudo isso. Ah! Depois que iniciei esse post contei para meu marido e até amigos, e hoje consigo ver todo o processo com um toque de humor. Quanta história vou ter para contar  a essa pequena quando ela crescer.

Bjus da Bia e meu.

7 comentários:

Dani disse...

Nossa Thalita, chorei com esse teu relato...
Poxa como eu te entendo, apesar de não ter passado por todo esse perrengue no qual vc tem vivido, com exceção das cólicas...
Sei bem do que vc ta falando...Tbm não queria dar colo pra Alice, pq todo mundo dizia que tava colocando manha nela...reformulei a tal da tese, não quero que ninguém fique com ela muito tempo no colo, apenas eu...por que é de mim que ela precisa, estavamos nos adaptando, nos conhecendo...passo horas com ela em cima da minha barriga, e ela adora, principalmente na hora das crises de cólica. Não tenha dúvida que esse amor é incondicional, também pensei que não era assim, mas é! Um amor que é construido e aumenta a cada dia...a cada gesto, a cada mamada. Fique bem minha amiga, e pode dar colo ao seu tesouro...Bjsss

Nise disse...

Excelente post..mtas maes passam por isso mas nao falam e assim parece que o mundo delas é cor de rosa,ne
Qdo tive meu primeiro filho,praticamente nao o amamentei pq nao tinha leite ...entao ele ficou um mes e meio intercalando entre meu peito e a mamadeira..e depois so a mamadeira...se me senti culpada por isso? Nao..o que importava pra mim era que eu estava alimentando ele.
E qto ao colo..ahhh ele ficou todo manhoso de tanto colo que tinha kkk ele foi mto esperado...entao toda vez que podia estava com ele nos braços...mimando,mimando..rsrsrs
bjo

Gabi disse...

Obrigada por compartilhar comigo essa experiencia! É importante saber desses detalhes e dificuldades no pós-parto! graças a Deus vc teve ajuda especializada no banco de leite e agora td está se encaixando!!! Q Deus abençoe vc e a Bia !!!

Bjs

Fê Papaléo disse...

Muito bom! Adorei de verdade!
Você foi super sincera e desabafar faz bem, que bom que as coisas estão tomando rumos mais tranquilos, isso é ótimo, mas se outras dificuldades surgirem no caminho nãos e culpe tanto assim...estamos aqui para aprender sempre, mesmo que para algumas seja mais difícil do que para outras!
Um beijo grande e que o papi do céu cuide de vocês!

querosermami.blogspot.com.br

Tiff@ disse...

Força para vocês duas, não tive baby blues , no mundo materno temos diversas experiências mesmo, para algumas é mais suave para outras punk mas todas temos alguma dificuldade na maternagem ^^

Lyanna Souza disse...

Thalita enquanto lia o teu relato eu vivia todo o seu drama... mas fiquei muito aliviada em saber que vc buscou e encontrou ajuda no banco de leite!!! É muito bom saber que tudo está se ajustando! Beijão!!!!

Rita disse...

Thalita, parabéns pelo nascimento da Bia! A maternidade ocupa tanto tempo, eu tive agora que voltar e ler que ela nasceu e já está com um mês, uau!
Então, ela naceu muito pequena e novinha, e isso influencia sim, e demais até, na amamentação. Sabe, eu tenho certeza que se eu não tivesse entrado em trabalho de parto pra ter a Liana eu não iria dar conta de amamentar. Tenho certeza absoluta!
Eu sei como é difícil no Brasil esperar a hora dos bebês nascerem, e por isso não julgo quem escolhe ter cesárea eletiva. Aqui nos Estados Unidos em alguns estados é PROIBIDO ter cesarea eletiva. Mas no Brasil isso é regra, e as mulheres acabam caindo porque seus médicos dizem. Aqui nos Estados Unidos mesmo gravidez de risco acaba com parto normal: pressão alta, diabetes gestacional, nada disso é motivo pra cesarea!
Mas vamos lá, Thalita! Foça pra você! Procure mais ajuda, seja no banco de leite, seja com mães recentes como você. Mesmo aqui na internet há diversas mães falando sobre maternidade real. Amamentação em livre demanda é o que há! A melhor coisa pro bebê. Por mais que você se sinta presa ao bebê, saiba que não será assim pra sempre. Costumo dizer que antes da minha filha completar 18 anos ela irá parar de mamar e quem sabe irá dormir a noite inteira sem chorar :)
O amor cresce mesmo a cada dia!
Beijos,
Rita

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